domingo, 23 de fevereiro de 2014

Neurose

Ela é do tipo que  se encanta com as pequenas coisas. Que se encanta por  uma demorada troca de olhares, enquanto ganha um cafuné. Que gosta de uma sms na madrugada, ou uma ligação inesperada. Ela não é muito de falar, muito menos de cobrar. Ela é do tipo que não exige muito, mas também não se contenta com pouco.
Por mais que ela se identifique com a pessoa, ela é desconfiada, ela veste uma certa armadura, da qual são raros os momentos que ela se sente confortável para tira-la.. Ela sente, mas não demonstra. Ela prefere assim, prefere de certo modo se manter afastada.

Ela sempre gostou de mistérios, na realidade ela é  um.  É daqueles que é quase  impossível decifrar, ao menos, ninguém até hoje conseguiu. Ela até tenta se deixar levar, ou deixar alguém a descobrir, mas passado algum tempo  isso vai a sufocando, fazendo-a preferir ficar sozinha, existe algo nela que a faz  preferir a solidão de seus próprios pensamentos. 
Afinal,  o que ela pensa, isso ninguém nunca irá descobrir. E ela pensa muito, pensa muito sobre tudo.  Talvez apenas o que ela sinta seja medo, medo de que alguém entre no seu mundo e não a compreenda,  medo bobo, por mais que ela isso reconheça. Mas talvez ela apenas não  passa de uma vítima, uma vítima de si mesmo, de suas próprias frases e da sua própria consciência. 

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